Veio por meio desse, pedir encaricidamente que me batam, me pisam, cuspam e depois passem por cima. Quem escreve é mesmo muito desavergonhado, como quem levanta a saia no meio da freira: o prazer é de voyerismo sem vergonha mesmo. Por isso pisem, pisotiem, passem a mão: é pra isso que estamos aqui.
Escrever é uma necessidade e não um dom; escrever eu não sei, mas eu preciso. E quando digo não sei não é por humildade nem nada, mas porque não é sem muito esforço que eu consigo chegar perto de dizer o que queria, quase sempre não consigo. Aliás, conseguir não; tanger. E literatura não é biografismo por mais que seja feito de sangue e suor(mais suor do que se pensa, na verdade, e não de alma, sangue mesmo). Entre o eu e o escritor tem pelo menos o tal do lírico, e ninguém é lírico de verdade, é sempre uma invenção, nem que seja de si mesmo, ou, principalmente, de si mesmo.
Por isso não tenham pudor de dizer não entendi, achei confuso, não tá bom, esqueça, não escreva nunca mais, por favor! Porque eu vou continuar a escrever de qualquer forma, se deus quiser e ele há de querer cada vez menos insatisfeito, apesar de saber que satisfeito mesom eu nunca vou ficar. Nunca me convenço com elogios mesmo, mais garantido pra credibilidade de vocês que me desçam a lenha. Com carinho, claro, mas sem muita frescura.
E obrigado a todo mundo que lê, comenta, ou lê sem comentar mesmo, são todos muito bem vindos, sempre.
sábado, outubro 28, 2006
sexta-feira, outubro 20, 2006
por cima dos fios
ao bater de cílios
por cima dos fios
sobre a calçada,
pista casa gato muro chão
o fluxo contínuo interrompido
nós amarrados a cada poste,
pairando
paralelos
panorâmicos
sobre a textura dos dias,
asfalto
e lá embaixo
escorrendo
pelos vãos
e
dobras do cotidiano, esquinas,
meninas do sinal diruno,
saltimbancos do sinal de trânsito,
equilibristas do meio-fio, em abismo
ou garotas nas ruas escuras do centro,
nós, perpendicularmente isentos;
película do insulfilme,
cacos de vidro sobre o muro
e o tudo bem tudo bom
nos acenos de calçadas
opostas
por cima dos fios
sobre a calçada,
pista casa gato muro chão
o fluxo contínuo interrompido
nós amarrados a cada poste,
pairando
paralelos
panorâmicos
sobre a textura dos dias,
asfalto
e lá embaixo
escorrendo
pelos vãos
e
dobras do cotidiano, esquinas,
meninas do sinal diruno,
saltimbancos do sinal de trânsito,
equilibristas do meio-fio, em abismo
ou garotas nas ruas escuras do centro,
nós, perpendicularmente isentos;
película do insulfilme,
cacos de vidro sobre o muro
e o tudo bem tudo bom
nos acenos de calçadas
opostas
quinta-feira, outubro 19, 2006
segunda-feira, outubro 09, 2006
das coisas que são
O papel brilhante rasgado
a caixa de papel exposta em pedaços
dentro, um brinquedo?
não
um mundo novo de cores e sensação
o dia é claro
a luz amarela atravessa a película azul
e transita entre o brilho e o opaco do cinza da mobília
os lençois retorcidos, a roupa de cama um pouco fora do lugar
um espasmo de preguiça,
as pernas cavalgam até a pia
o tubo em forma de foguete
o violeta fluido da sua textura
seu brilho ascendente
passar a pasta na escova... higiene
não, um mergulho no mar da televisão
de jet ski, lancha e água cristalina
um paraíso, sem medo do fundo ou de tubarão
uma tarde que desliza enquanto o sol não se põe
e a ansiedade morna aconchega
prometendo um tipo agora vago de entusiasmo
uma tarde na casa do primo com primos
uma promessa de caminho fácil
para algum lugar que fazia falta
e tanto e de novo e insistentemente
até a exaustão do encantar-se
aquele encanto se oferecia
tão doce que não roça a língua
e macio até o ponto que aos dedos não fizesse pressão
saudade do tempo em que me refestelava com menos que uma epifania...
agora me falta perícia pra administrar as coisas que sou com as coisas que são.
a caixa de papel exposta em pedaços
dentro, um brinquedo?
não
um mundo novo de cores e sensação
o dia é claro
a luz amarela atravessa a película azul
e transita entre o brilho e o opaco do cinza da mobília
os lençois retorcidos, a roupa de cama um pouco fora do lugar
um espasmo de preguiça,
as pernas cavalgam até a pia
o tubo em forma de foguete
o violeta fluido da sua textura
seu brilho ascendente
passar a pasta na escova... higiene
não, um mergulho no mar da televisão
de jet ski, lancha e água cristalina
um paraíso, sem medo do fundo ou de tubarão
uma tarde que desliza enquanto o sol não se põe
e a ansiedade morna aconchega
prometendo um tipo agora vago de entusiasmo
uma tarde na casa do primo com primos
uma promessa de caminho fácil
para algum lugar que fazia falta
e tanto e de novo e insistentemente
até a exaustão do encantar-se
aquele encanto se oferecia
tão doce que não roça a língua
e macio até o ponto que aos dedos não fizesse pressão
saudade do tempo em que me refestelava com menos que uma epifania...
agora me falta perícia pra administrar as coisas que sou com as coisas que são.
segunda-feira, setembro 25, 2006
gato preto sobre gato preto
a certa distância difusa
há formas apagadas
em cores escuras;
a imagem do que se chama de nada.
mas o que há, advinho,
é volúpias e volúpias de escuro:
o preto cobrindo o preto,
o escuro no escuro
não monocórdios em monotonia,
não é preciso de claras fronteiras
para que existam um e o outro
além da monocromia,
pois não há tensão nessas linhas,
e sim espasmos trêmulos
que permitem, inclusive,
haver entre eles, um terceiro:
gemido no horizonte,
o vermelho.
há formas apagadas
em cores escuras;
a imagem do que se chama de nada.
mas o que há, advinho,
é volúpias e volúpias de escuro:
o preto cobrindo o preto,
o escuro no escuro
não monocórdios em monotonia,
não é preciso de claras fronteiras
para que existam um e o outro
além da monocromia,
pois não há tensão nessas linhas,
e sim espasmos trêmulos
que permitem, inclusive,
haver entre eles, um terceiro:
gemido no horizonte,
o vermelho.
domingo, setembro 03, 2006
sobre os fatos
as coisas existem
independente d'eu existir ou não?
essa pergunta é,
antes de tudo, um fato.
*pseudo-filosofando sobre a influência do mestre arystóteles e da sacerdotisa lispector.
independente d'eu existir ou não?
essa pergunta é,
antes de tudo, um fato.
*pseudo-filosofando sobre a influência do mestre arystóteles e da sacerdotisa lispector.
segunda-feira, agosto 28, 2006
raikais na areia
brisa, leva, vento
areia perfura as pernas
corro para o mar
castelo à mão
transbordo do mar dissolve
o suor do tempo
coceira no pé,
salto de espanto
pisei em uma estrela!
sentado na margem
água passa por debaixo
me afunda na areia
juntos, os dois pés
afundam-se na areia
e se erguem em ondas
sexta-feira, agosto 25, 2006
haicai - exercitando
seguindo o mestre ary san, aqui o primeiro rebento:
por detrás da grade
um cachorro me persegue
pra além do seu fim
pra quem não sabe, que nem eu, o que são haicais: são poemas tradicionais da cultural oriental(eu arriscaria japonesa, mas não tenho certeza), que possuem uma métrica fixa, 3 versos de 5, 7, 5 sílabas poéticas respectivamente. se não me engano, eram poemas que surgiam a partir da meditação e contemplação da natureza. sem contar que sempre se remetia de alguma forma a uma estação do ano. são poemas que capturam uma imagem cheia de significado. mesmo que fugindo da tradição, como aliás muito já se fez e faz, foi isso que tentei fazer aqui. *confirma mais haicais que o mestre ary san fez, é só ir no Mergulho no Raso.
http://mergulhonoraso.blogspot.com/
por detrás da grade
um cachorro me persegue
pra além do seu fim
pra quem não sabe, que nem eu, o que são haicais: são poemas tradicionais da cultural oriental(eu arriscaria japonesa, mas não tenho certeza), que possuem uma métrica fixa, 3 versos de 5, 7, 5 sílabas poéticas respectivamente. se não me engano, eram poemas que surgiam a partir da meditação e contemplação da natureza. sem contar que sempre se remetia de alguma forma a uma estação do ano. são poemas que capturam uma imagem cheia de significado. mesmo que fugindo da tradição, como aliás muito já se fez e faz, foi isso que tentei fazer aqui. *confirma mais haicais que o mestre ary san fez, é só ir no Mergulho no Raso.
http://mergulhonoraso.blogspot.com/
quarta-feira, agosto 16, 2006
a POESIA desCARAda#3
a poesia escorre
escorre pelas bordas dos lábios
dos teus lábios, versos
lhes apara com a língua
devora meus olhos
me sorve pelos vãos
borbulha saliva dentro da minha boca
o céu lá de dentro se derrete
agora é mar
me dá vontade de tomar
tomar pra si
fazer com que o que é
se torne simples mente pertencer
escapar ao que é essência
pela tua condescendência
te colocar entre os dentes
acima das papilas
e te deglutir pelos ares
escorre pelas bordas dos lábios
dos teus lábios, versos
lhes apara com a língua
devora meus olhos
me sorve pelos vãos
borbulha saliva dentro da minha boca
o céu lá de dentro se derrete
agora é mar
me dá vontade de tomar
tomar pra si
fazer com que o que é
se torne simples mente pertencer
escapar ao que é essência
pela tua condescendência
te colocar entre os dentes
acima das papilas
e te deglutir pelos ares
sábado, agosto 05, 2006
desconforto
Epílogo:
Ele não sabia tomar sorvete
Ele não chupa a bala que vende
Ele não sabe quanto é
Ele não sabe quanto
Tinha receio, sem precaução,
Ele não podia ter!
Cedia ao desejo, de olho aberto
Não se priva, mas se sacia com parcimônia*
*Ele não sabe o que é parcimônia
Ele não deve saber! Ele não pode!
Ele não devia estar tão exposto
Sozinho no banco
Com as pernas balançando
Enquanto não sabe tomar sorvete
*Ele não sabe se desconcertar
E isso é de desmontar qualquer um...
Porém, ninguém se desmontou
Prólogo:
‘’Me deixa, me deixa ver se eu caibo no teu desconforto...’’
Enfim:
Escrevi há pouco tempo esse verso, tentativa de captura lírica de um incomodo qualquer: a identificação morna que senti ao presenciar cena de embaraço, instante fugidio de um qualquer alguém. Instante fugidio e banal, e digo banal de ‘’banalidade’’ mesmo, não por banalização. Um engancho na palavra que não desce à boca, um segundo de hesitação que cala a segurança, e o corpo todo se desencontra. E o incômodo a que me refiro não foi o dela, foi o meu, maior ainda, ao lembrar que normalmente me sentiria sensibilizado, mas ao contrário, havia em mim apenas uma indiferença obscena e indecorosa. Tentei sublimar isso escrevendo um apelo a mim para que tentasse sentir o peso de ser o outro. Lirismo cínico esse o meu.
Pois bem, voltando ao começo, e usando o verso solto de gancho pro meio: hoje eu coube. Em outrem, e mais do que eu imaginava. Esperava que o desconforto alheio fosse menor que o meu, que eu ficasse ridículo feito um adulto com roupa que encolheu, a calça virando bermuda, enfiada no meio das pernas. Ou que a vestisse feito uma caixinha de pano e papel, deixando meus braços de fora. Mas não. Ele me coube inteiro. Inteiro e com vazios, como todo desconforto deve ser. Estava ali, dentro de uma caixa sem gravidade sendo chutada em uma partida de futebol em câmera lenta.
O cinismo desprevenido que joguei sobre os outros cai agora sobre mim com peso o opaco do sarcasmo. Sarcasmo da vida. A consciência da repetição não diminuiu o estranhamento vazio em nada. Não me coube indignação, revolta, tristeza. Apenas o sentimento de esquisitice extrapolando, me negando a encarar a normalidade quase boa de tudo. Nesse momento, o desconforto me comporta todo. Sou eu sentado como criança num banco alto, balançando as pernas no ar que mal se move, comendo um sorvete sem saber como. Sou eu me apropriando das cenas que vejo, repetindo meu exercício narcisista de inventar tristeza alheia para dar vazão àquelas que eu não me lembro. Não quero achar explicação. Não quero que o leitor me dê nenhuma. Um desconforto é só isso, um encerramento claustrofóbico. De que, em que? Não sei. Não é retiro espiritual, é retirada do espírito, confiscado. Por que? Por quem?
Não posso fazer o sacrilégio de dizer alguma coisa.
Ele não sabia tomar sorvete
Ele não chupa a bala que vende
Ele não sabe quanto é
Ele não sabe quanto
Tinha receio, sem precaução,
Ele não podia ter!
Cedia ao desejo, de olho aberto
Não se priva, mas se sacia com parcimônia*
*Ele não sabe o que é parcimônia
Ele não deve saber! Ele não pode!
Ele não devia estar tão exposto
Sozinho no banco
Com as pernas balançando
Enquanto não sabe tomar sorvete
*Ele não sabe se desconcertar
E isso é de desmontar qualquer um...
Porém, ninguém se desmontou
Prólogo:
‘’Me deixa, me deixa ver se eu caibo no teu desconforto...’’
Enfim:
Escrevi há pouco tempo esse verso, tentativa de captura lírica de um incomodo qualquer: a identificação morna que senti ao presenciar cena de embaraço, instante fugidio de um qualquer alguém. Instante fugidio e banal, e digo banal de ‘’banalidade’’ mesmo, não por banalização. Um engancho na palavra que não desce à boca, um segundo de hesitação que cala a segurança, e o corpo todo se desencontra. E o incômodo a que me refiro não foi o dela, foi o meu, maior ainda, ao lembrar que normalmente me sentiria sensibilizado, mas ao contrário, havia em mim apenas uma indiferença obscena e indecorosa. Tentei sublimar isso escrevendo um apelo a mim para que tentasse sentir o peso de ser o outro. Lirismo cínico esse o meu.
Pois bem, voltando ao começo, e usando o verso solto de gancho pro meio: hoje eu coube. Em outrem, e mais do que eu imaginava. Esperava que o desconforto alheio fosse menor que o meu, que eu ficasse ridículo feito um adulto com roupa que encolheu, a calça virando bermuda, enfiada no meio das pernas. Ou que a vestisse feito uma caixinha de pano e papel, deixando meus braços de fora. Mas não. Ele me coube inteiro. Inteiro e com vazios, como todo desconforto deve ser. Estava ali, dentro de uma caixa sem gravidade sendo chutada em uma partida de futebol em câmera lenta.
O cinismo desprevenido que joguei sobre os outros cai agora sobre mim com peso o opaco do sarcasmo. Sarcasmo da vida. A consciência da repetição não diminuiu o estranhamento vazio em nada. Não me coube indignação, revolta, tristeza. Apenas o sentimento de esquisitice extrapolando, me negando a encarar a normalidade quase boa de tudo. Nesse momento, o desconforto me comporta todo. Sou eu sentado como criança num banco alto, balançando as pernas no ar que mal se move, comendo um sorvete sem saber como. Sou eu me apropriando das cenas que vejo, repetindo meu exercício narcisista de inventar tristeza alheia para dar vazão àquelas que eu não me lembro. Não quero achar explicação. Não quero que o leitor me dê nenhuma. Um desconforto é só isso, um encerramento claustrofóbico. De que, em que? Não sei. Não é retiro espiritual, é retirada do espírito, confiscado. Por que? Por quem?
Não posso fazer o sacrilégio de dizer alguma coisa.
domingo, julho 30, 2006
a palavra dita
a palavra e o som
o escrito e a palavra
é isso que eu faço: eu falo
mesmo escrevendo, eu digo
não faço arte, nem bibelô
muito menos o feio que grita
não crio, nem invento
trascrevo
e espero que não esperem nada de mim
pois com certeza vou chegar atrasado
o escrito e a palavra
é isso que eu faço: eu falo
mesmo escrevendo, eu digo
não faço arte, nem bibelô
muito menos o feio que grita
não crio, nem invento
trascrevo
e espero que não esperem nada de mim
pois com certeza vou chegar atrasado
quinta-feira, julho 06, 2006
o tempo escorrendo

o calor amolece as horas
leite pastoso escorrendo,
suor na testa,
o tédio é quente
dilata a dor de cabeça
reaviva a memória
de tudo que não acontece
pois nem tudo acaba no final,
às vezes termina no começo
e se repete em eco de desabamento
pesada a memória do que não aconteceu
alguns quilos de nuvem queimadas de sol
a balança do tempo
o tempo é o antes do verbo
o presente que amarra a memória,
mas não acomoda lembranças
nem cabe nos planos,
o presente é o relento da metafísica
quotidiano

A cota de cada dia
fragmentação da monotonia
monocromos partidos
vidas (in)trincadas:
não é a rotina que é lenta
nós que somos, e ela nos atropela
http://www.youtube.com/watch?v=qSr8ni3jXU0
sexta-feira, junho 30, 2006
Éterarte!
Eu quero poesia nas paredes
do meu quarto
Eu quero a minha sala
toda pinturizada
Eu quero cores vivas
na cesta de frutas
Eu quero uma luz bonita
no meu domingo à noite
Eu quero que as buzinas
se tornem melodia
Quero o dia-a-dia, até melancolia
Quero qualquerum, quero a meia-luz
Quero meio-tons, até saturações
Quero infinidades e o particular
Quero ver meus medos
causando mais que espanto
Quero perder a patente
da minha própria alegria
Quero ver minha tristeza
Sem olhos molhados
Quero escrever poesia
na extensão da tua pele...
E até escreveria,
se não fosse tão bonita
E já escrevesse em mim!
Enfim, eu quero padecer no paraíso,
passárgada no caminho ao lado da minha cruz...
Eu quero é que meus vazios se encham de éter!
do meu quarto
Eu quero a minha sala
toda pinturizada
Eu quero cores vivas
na cesta de frutas
Eu quero uma luz bonita
no meu domingo à noite
Eu quero que as buzinas
se tornem melodia
Quero o dia-a-dia, até melancolia
Quero qualquerum, quero a meia-luz
Quero meio-tons, até saturações
Quero infinidades e o particular
Quero ver meus medos
causando mais que espanto
Quero perder a patente
da minha própria alegria
Quero ver minha tristeza
Sem olhos molhados
Quero escrever poesia
na extensão da tua pele...
E até escreveria,
se não fosse tão bonita
E já escrevesse em mim!
Enfim, eu quero padecer no paraíso,
passárgada no caminho ao lado da minha cruz...
Eu quero é que meus vazios se encham de éter!
domingo, junho 18, 2006
Doido varrido
Doido varrido - da série auto-abandono, maiores abandonados
Sempre que me encontro perdido demais,
Ensaio alguns passos para trás
Procurando o caminho por onde vim.
Mas hesito logo, quando lembro
que o que temo está justamente ali.
Não tenho medo de seguir, ir pra qualquer lugar,
Porque eu não vou mesmo pra lugar nenhum
Doou voltar em mim, voou do sótão ao porão
Mas o motivo da fuga, que não é só um
Encontro na verdade na sala de estar(não estou!)
Reformada, linda, e uma pilha de tapetes no centro
Mal se equilibrando tal Torre de Piza
Contínua iminência de desabamento fatal
Vou descobrindo um a um os milhares que há
Buscando a poeira esquecida da memória
Onde começou toda essa bagunça
Porém, toda vez que isso acontece
Minha primeira intenção logo padece.
O fungo do abandono, esquecimento,
Me faz espirrar epileticamente de anseios
Rinite emocional, auto-alergia...
Eu desencano, pego novo e grosso manto
E jogo o tapete sobre mim. Fim.
Sempre que me encontro perdido demais,
Ensaio alguns passos para trás
Procurando o caminho por onde vim.
Mas hesito logo, quando lembro
que o que temo está justamente ali.
Não tenho medo de seguir, ir pra qualquer lugar,
Porque eu não vou mesmo pra lugar nenhum
Doou voltar em mim, voou do sótão ao porão
Mas o motivo da fuga, que não é só um
Encontro na verdade na sala de estar(não estou!)
Reformada, linda, e uma pilha de tapetes no centro
Mal se equilibrando tal Torre de Piza
Contínua iminência de desabamento fatal
Vou descobrindo um a um os milhares que há
Buscando a poeira esquecida da memória
Onde começou toda essa bagunça
Porém, toda vez que isso acontece
Minha primeira intenção logo padece.
O fungo do abandono, esquecimento,
Me faz espirrar epileticamente de anseios
Rinite emocional, auto-alergia...
Eu desencano, pego novo e grosso manto
E jogo o tapete sobre mim. Fim.
quinta-feira, maio 25, 2006
pornoGRAFIA desCARADA #2
como cortinas de mistério,
cerradas com leveza,
moldam forma redonda, perfeita
textura de veludo, mas levíssimas
vão se abrindo lentamente
porém entre elas há véus duplos
feitos de finos fios de escuro
cobrindo um brilho mel perolado,
semicerram-se pausadamente
qual dança que envolve e alterna
vislumbre total e mistério
da visão da sedução em si
aumentando assim o desejo
e quebrando os paradigmas do possível
a entrevista pupíla, pele nua
tão penetrante que o olhar se perde
ao avistar seu gêmeo, complemento
mas logo encontra finalmente
a sua razão de ser: o comtemplar
a comtemplação que é o oposto da apatia
cerradas com leveza,
moldam forma redonda, perfeita
textura de veludo, mas levíssimas
vão se abrindo lentamente
porém entre elas há véus duplos
feitos de finos fios de escuro
cobrindo um brilho mel perolado,
semicerram-se pausadamente
qual dança que envolve e alterna
vislumbre total e mistério
da visão da sedução em si
aumentando assim o desejo
e quebrando os paradigmas do possível
a entrevista pupíla, pele nua
tão penetrante que o olhar se perde
ao avistar seu gêmeo, complemento
mas logo encontra finalmente
a sua razão de ser: o comtemplar
a comtemplação que é o oposto da apatia
segunda-feira, maio 22, 2006
auto-abandono, da série abusos condescendentes
Eleu sentia-se tão frágil
deitado, parado, controlando a respiração
na tentativa vã de controlar seu pulso
como se pudesse diminuí-la ao ponto
da quase não existência ,
que não conseguia, afundado em dolência
enfrentar a contínua eminência incontida
de sua total desvanecência
preferia qualquer coisa
àquela ânsia caústica que o castigava
desejava, então, ser violado
por abuso alheio e derradeiro
forma única de desfazer-se da tortura
de ser o único responsável de si mesmo
de não só estar completamente mal
e conhecer todas as razões para tal,
mas de correr o risco de ficar bem
e conviver com a ansiedade de poder
voltar novamente a se desfazer
deitado, parado, controlando a respiração
na tentativa vã de controlar seu pulso
como se pudesse diminuí-la ao ponto
da quase não existência ,
que não conseguia, afundado em dolência
enfrentar a contínua eminência incontida
de sua total desvanecência
preferia qualquer coisa
àquela ânsia caústica que o castigava
desejava, então, ser violado
por abuso alheio e derradeiro
forma única de desfazer-se da tortura
de ser o único responsável de si mesmo
de não só estar completamente mal
e conhecer todas as razões para tal,
mas de correr o risco de ficar bem
e conviver com a ansiedade de poder
voltar novamente a se desfazer
quarta-feira, abril 19, 2006
pornoGRAFIA desCARADA #1
entrevista pelo decote dos lábios
a língua alivia os dentes,
o nervoso que treme,
a saliva lubrifica a mente
lambuzando os dedos da moral
enquanto os cílios se abraçam
e as pálpebras se deitam,
cobrindo por decoro,
um paradoxo, as pupilas
mas os olhos não se aguentam
e se fitam fugidios:
ser menos que breve é uma tortura,
o desejo prolongado lateja
a vontade progride
pelas formações angulosas da tua pele,
me projeto no teu palato
os poros se dilatam
a epiderme se relaxa
os pêlos ficam eretos
e o sangue, pressentindo festa,
se aproxima das extremidades
tu vêm à tona no rubor da tua face
*segunda versão
a língua alivia os dentes,
o nervoso que treme,
a saliva lubrifica a mente
lambuzando os dedos da moral
enquanto os cílios se abraçam
e as pálpebras se deitam,
cobrindo por decoro,
um paradoxo, as pupilas
mas os olhos não se aguentam
e se fitam fugidios:
ser menos que breve é uma tortura,
o desejo prolongado lateja
a vontade progride
pelas formações angulosas da tua pele,
me projeto no teu palato
os poros se dilatam
a epiderme se relaxa
os pêlos ficam eretos
e o sangue, pressentindo festa,
se aproxima das extremidades
tu vêm à tona no rubor da tua face
*segunda versão
domingo, março 26, 2006
meio sorriso
os outros podem destruir tudo
aliás, eu posso me destruir todo
podem esquartejar minha autoestima
e eu posso incinerá-la ao permitir
mas não vou deixar de ter minha cara de bobo
acreditando que tudo ainda vai ficar bem
nem pode findar o meu meio sorriso
que quase sempre, parece quase tristeza
mas quando há realmente motivo de tristeza
se transforma em quase quase felicidade
não, não se engane,
é tudo menos apatia
pois quem vive de sutileza
é imune a grandes sobresaltos
tanto pra cima quanto pra baixo
minto, não é bem assim:
quem vive de sutileza,
discerne bem o que é relevantee
o que não é, relevamos
por exemplo:
uma queda não o é
o esforço pra se levantar, sim
a ascenção não o é
ficar parado lá em cima, isso sim
enfim
aliás, eu posso me destruir todo
podem esquartejar minha autoestima
e eu posso incinerá-la ao permitir
mas não vou deixar de ter minha cara de bobo
acreditando que tudo ainda vai ficar bem
nem pode findar o meu meio sorriso
que quase sempre, parece quase tristeza
mas quando há realmente motivo de tristeza
se transforma em quase quase felicidade
não, não se engane,
é tudo menos apatia
pois quem vive de sutileza
é imune a grandes sobresaltos
tanto pra cima quanto pra baixo
minto, não é bem assim:
quem vive de sutileza,
discerne bem o que é relevantee
o que não é, relevamos
por exemplo:
uma queda não o é
o esforço pra se levantar, sim
a ascenção não o é
ficar parado lá em cima, isso sim
enfim
sábado, março 25, 2006
desnudar
Meu amor, não se desculpe
pelo que não há por que
não é tempo que preciso
só quero o tempo eterno
desse conjunto imbatível
olhar sorridente infinito
que aumenta meu sorriso
que só tem bocas pra você
Saiba que você não precisa
dar provas de amor ou nada assim
o que você precisa, isso sim
é provar de mim
pra que eu possa saber
que posso te satisfazer
na minha satisfação de ti
Desse jeito você vai poder tocar
o que poucos conseguem se tocar
que existe em mim
pra poder descobrir o que há
debaixo de tanta pele e cicatriz
só preciso que você confirme
que o brilho que me encanta no teu olhar
é também desejo de me despir
e eu farei o strip tease sublime:
tirar o que de excesso existe em mim
e ficar só a sutileza que me sustenta
algo muito próximo de você
pelo que não há por que
não é tempo que preciso
só quero o tempo eterno
desse conjunto imbatível
olhar sorridente infinito
que aumenta meu sorriso
que só tem bocas pra você
Saiba que você não precisa
dar provas de amor ou nada assim
o que você precisa, isso sim
é provar de mim
pra que eu possa saber
que posso te satisfazer
na minha satisfação de ti
Desse jeito você vai poder tocar
o que poucos conseguem se tocar
que existe em mim
pra poder descobrir o que há
debaixo de tanta pele e cicatriz
só preciso que você confirme
que o brilho que me encanta no teu olhar
é também desejo de me despir
e eu farei o strip tease sublime:
tirar o que de excesso existe em mim
e ficar só a sutileza que me sustenta
algo muito próximo de você
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